Domingo, 05 de Setembro de 2010
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Guerras por Eduardo Souza

Coluna dedicada a história de várias Guerras que aconteceram em todo o mundo!

 
2° Guerra Mundial!!!
 

Operação Bagration - Parte II

 

A destruição do Grupo de Exércitos Centro, 1944.

 

O Ataque

 

Os relatos alemães e soviéticos divergem quanto a real data para o início da ofensiva Bagration. Na noite de 19 para 20 de 1944, os partizans sobreviventes lançaram uma onda de ataques contra entroncamentos ferroviários, pontes e outra chave dos transportes ao longo das áreas de retaguarda do Grupo de Exércitos Centro. Apesar das defesas locais alemãs terem impedido muitos desses ataques, mais de mil pontos de transportes foram colocados fora de ação, tornando impossível a retirada, resuprimento e movimentos laterais de tropas alemães.

 

Começando na noite de 21-22 de junho, maciços ataques de bombardeios atingiram as áreas de retaguarda alemã, enquanto os batalhões de reconhecimento soviéticos começaram a infiltrar-se para dentro das escassamente ocupadas posições alemães, descascando as camadas de defesa alemãs uma de cada vez. Os ataques principais foram lançados no dia 23 de junho, em muitos casos sem o uso de prolongadas barragens de artilharia, devido ao sucesso dos elementos de reconhecimento. Estes ataques consistiam de forças tarefas mistas cuidadosamente organizadas, compostas de tanques, canhões autopropulsados e infantaria, apoiados por designada especificamente para eles e apoio aéreo. Toda a ofensiva foi liderada por tanques de engenharia, com arados fixados para abrir caminho entre os campos de minas. À noite, holofotes e sinais luminosos roubavam dos alemães a sua visão noturna a guiar o continuado avanço soviético.

 

Os canhões antitanques de 50 mm que equipavam a maior parte das companhias antitanques alemães eram em grande parte ineficazes contra a blindagem frontal dos T-34 e tanques mais pesados. Em seu lugar, os infantes alemães usavam minas antitanques, cargas explosivas, Panzerfausts, e armas semelhantes, de curto alcance, para cobrar um preço das forças atacantes. A maior parte dos comandantes soviéticos simplesmente contornava os centros isolados de resistência alemã e continuava seu avanço para a retaguarda.

 

No setor de Vitebsk, à tarde no dia 24 de junho, pequenas forças tarefas móveis do 43° Exército do General de Exército A. P. Beloborodov varreram para o lado os remanescentes do totalmente desmoralizado Grupo de Corpos E alemão e tomaram pontos de cruzamento por sobre o rio Dvina ocidental a oeste da cidade. Pelo meio dia de 25 de junho, eles tinham se ligado com os destacamentos blindados avançados do 39° Exército do General de Exército I. I. Liudnikov, cortando as rotas de retirada do LIII Corpo de Exército alemão da cidade. Virtualmente sem pausa, o 6° Exército de Guardas do General de Exército I. M. Chistiakov, apoiado pelo 1° Corpo de tanques do General de Exército V. V. Bultkov voltaram-se para o ocidente e começaram a empurrar os remanescentes do Terceiro Exército Panzer em direção a Poltosk.

Para o sul, Rokossovsky começou seu assalto em 24 de junho, quando suas divisões de vanguarda emergiam miraculosamente dos pântanos para engajar os surpresos alemães. Esmerados trabalhos de engenharia tinham permitido às suas unidades construir estradas de estivas e rampas através dos pântanos ao longo do lado ocidental do rio Ptich sem que os alemães descobrissem. Assim que as defesas alemãs foram sobrepujadas pelas unidades de infantaria de assalto, Rokossovsky soltou suas forças blindadas direto pelas estradas limitadas pelo pântano através das defesas alemãs e para dentro das áreas de retaguarda alemãs. Pelo meio do dia 25 de junho, o 1° Corpo de Tanques de Guardas tinha penetrado mais de 40 quilômetros alem dos acessos meridionais para Bobruisk, enquanto o Grupo Misto Cavalaria-Mecanizado do General de Exército I. A. Pliev seguia atrás, preparando para voltar-se em direção a Slutsk. A 20° Divisão Panzer, incapaz de determinar se o ataque principal estava vindo de Rogachev no leste ou do sul, a partir de Bobruisk, desperdiçou dois dias marchando e contra marchando em resposta a ordens confusas. Terminando sua agonia, no dia 26 de junho, o 9° Corpo de Tanques do General de Exército B. S. Bakharov rompeu as defesas alemães a oeste de Rogachev e correu para tomar cruzamentos pelo rio Berezina ao sul de Brobuisk, no mesmo momento em que o 1° Corpo de Tanques de Guardas fazia o mesmo na margem oriental do rio.

 

O avanço relâmpago dos blindados soviéticos, seguido de uma torrente de tropas dos 65°, 48° e 3° Exércitos, pegou o XXXV corpo alemão e parte do XXXXI (41° - sic) Corpo Panzer, junto com a 20° Divisão Panzer, em um caldeirão de fogo dentro e ao sudoeste de Bobruisk. Enquanto tentando passar pelo corredor polonês para a liberdade, os fugitivos foram martelados sem piedade pelo poder aéreo soviético no apinhado entroncamento rodoviário em Titovka. Somente os mais estóicos e afortunados foram capazes de sobreviver à carnificina e romper para o norte da cidade. De certa forma, foram ajustados pelo fato dos comandantes soviéticos já estarem impelindo suas forças para frente e para o oeste, em direção a Minsk.

 

No ataque secundário soviético, em frente à Orsha e Mogilev, a experiência alemã foi inicialmente menos angustiante. O 49° Exército do General de Exército I. T. Grishin montou uma penetração de pequena escala no dia 24 de junho contra a junção dos XXXIX Corpo Panzer e XII Corpo alemães. O pequeno tamanho de sua força blindada forçou Grishin a usar uma brigada independente de tanques com a infantaria montada sobre os blindados como núcleo de sua força móvel de exploração. Notícias do crescente desastre levaram o Quarto Exército alemão a começar uma lenta retirada de volta para Mogilev no Dnepr. Pelo dia 27 de junho, as forças de Grishin tinham cruzado o rio ao norte e ao sul da cidade, e os agora desesperados defensores contemplavam mais uma retirada para Minsk, que também já estava ameaçada de captura. Seguindo ordens de Hitler, contudo, Mogilev também deveria ser defendida até o último homem. Alguns obedeceram estas ordens, mas muitos não. Aqueles que escapavam dirigiram-se para o oeste, seguindo o som dos canhões e para uma experiência tão angustiante quanto às batalhas por Vitebsk e Bobruisk. Enquanto evitando a derrota imediata em um cerco tático e operacional em Mogilev e ao longo do Dnper, eles caíram vítimas de um cerco estratégico muito maior em Minsk.

Enquanto esses cercos aconteciam, Hitler consistentemente declarava as cidades como fortalezas que deveriam ser defendidas até o último homem. Em muitos casos, consistiam de prédios de madeira sem porões, tornando uma defesa efetiva impossível. Por esta etapa da guerra, os comandantes alemães a nível regimental ou inferior aprenderam a evitar qualquer cidade que pudesse concebivelmente ser declarada como fortaleza. Se por acaso fossem pegos em tais locais indefensáveis, usariam de qualquer oportunidade para lutar para fora de lá. No dia 27 de junho, por exemplo, a 12° Divisão de Infantaria, junto com milhares de tropas e centenas de soldados feridos, foram cercados em Mogilev. Duas forças tarefa de batalhão da divisão romperam o cerco por si. Experimentaram uma escapada quase que milagrosa através do rio Berezina e foram capazes de atingir as linhas alemãs ao longo do rio Neman, ao sudoeste de Minsk.

 

Por 27 de junho, imensas brechas tinham sido abertas no norte, o Terceiro Exército Panzer e o Quarto Exército e no sul entre o Quarto Exército e o Nono Exército. Os dois corpos de tanques do 5° Exército de Tanques de Guardas de Rotmistrov, mais o 3° Corpo Mecanizado de Guardas, independente, do General de Exército V. T. Obukhov avançaram através da primeira brecha, com suas brigadas movendo-se em estradas paralelas, de forma a buscar quaisquer locais de cruzamento possível no rio Berezina. O Grupo Misto Cavalaria-Mecanizada de Pliev tinha corrido para a brecha meridional através do rio Ptich e adiante para Slutsk, que ocupou no meio do dia de 29 de junho.

 

O OKH tinha reagido lentamente a essas ameaças, e um número limitado de unidades mecanizadas chegou por ferrovia e estrada. A 5° Divisão Panzer desembarcou dos trens em Borisov e, junto com um agrupamento de unidades de segurança de retaguarda levemente armadas, tentou fechar a brecha entre o Terceiro Exército Panzer e o Quarto Exército. Os melhor que conseguiram, entretanto, foi emboscar os destacamentos de vanguarda dos corpos soviéticos, escondendo-se em vilas e bosques e abrindo fogo a curto alcance. Tais táticas somente retardavam o avanço por poucas horas até que os comandantes vermelhos localizassem rotas alternativas e contornassem os defensores. Rotmistrov e outros comandantes de tanques, entretanto, teriam que aprender que o combate de blindados na Bielorússia era muito diferente e mais custoso em termos de tanques do que tinha sido nas estepes da Ucrânia.

 

           

A queda de Minsk

 

Em 2 de julho de 1944, um pequeno grupo de regimentos alemães estava dentro e em volta de Minsk. A recaptura da cidade era um clássico exemplo de elementos de vanguarda e corpos de tanques soviéticos explorando uma ruptura. Em essência, toda a defesa alemã foi simplesmente anulada pelo rápido movimento de pequenos destacamentos avançados através da povoação. No lado norte de Minsk, o 29° Corpo de Tanques do 5° Exército de Tanques de Guardas contornou a cidade, em busca de quaisquer forças de contra-ataque alemãs a oeste, ao mesmo tempo em que tomava uma passagem sobre o rio Svisloch. Enquanto isso, o 3° Exército de Tanques de Guardas limpava o lado nordeste. A cidade foi efetivamente conquistada em uma manhã, com os soviéticos tomando umas posições chave antes que a defesa alemã estivesse organizada. Na manhã de 3 de julho, elementos da vanguarda do 1° Corpo de Tanques chegaram do sul, completando a ocupação da cidade. Imediatamente atrás deles estavam os elementos de fuzileiros do 3° Exercito (do sudeste) e o 31° Exército (do nordeste). Assim ao mesmo tempo em que a cidade era tomada por forças mecanizadas, unidades de infantaria chegavam para estabelecer um cerco interior ao redor das forças do Quarto Exército alemão, ultrapassadas enquanto ainda defendiam posições a leste de Minsk. Todo o processo foi terminado virtualmente sem uma pausa na exploração.

 

Mas ao sul, remanescentes da força alemã em Bobruisk continuavam suas tentativas desesperadas de escapar, depois que dois corpos de tanques soviéticos tinham terminado o cerco. Fontes alemãs admitem que este último cerco inclua dois corpos, compostos por cerca de 70.000 homens, Nono Exército alemão. Como foi feito no caso da 5° Divisão Panzer no norte, o OKH enviou a 12° Divisão Panzer com ordens de restaurar a situação. Obediente ao chamado, a divisão começou a desembarcar dos trens na área de Osipovichi, a 50 quilômetros de Bobruisk, no dia 27 de junho. O chefe do estado-maior do Nono Exército recebeu o comandante da divisão com as irônicas palavras: “Que bom te ver! O Nono Exército não existe mais!” Esta observação era verdadeira em tudo a não ser em nome, apesar de um contra-ataque determinado no dia 30 de junho, feito por um grupo da 12° Divisão Panzer, ter resgatado 10.000 soldados alemães desarmados que escapavam da área de Bobruisk. Os 60.000 remanescentes, entretanto, estavam sofrendo fortes ataques aéreos soviéticos e eventualmente se renderam. A Sexta Força Aérea alemã, que tinha começado a batalha com apenas 45 caças na área, estava tão prejudicada pela falta de combustível e aviões que não podia fazer nada contra a maciça superioridade aérea soviética.

 

O pior ainda estava por vir para os defensores. No dia 27 de junho, Hitler distribuiu a Ordem de Operações número 8, outra diretiva de resistência a todo custo, que ordenava a reconstrução de uma frente com tropas que já estavam cercadas. Os comandantes alemães continuavam a pedir permissão para retirada ou manobrar a via esses pedidos serem negados de forma consistente até ser tarde demais. No final, o LII Corpo de Exército rendeu-se em Vitebsk, e um imenso cerco a leste foi responsável pela captura da maior parte do Quarto Exército.

 

Enquanto os 33° 49° e 50° Exércitos da 2° Frente Bielorussa se empenhavam na sangrenta tarefa de erradicar o assediado Quarto Exército, as Frentes de Cherniakhovsky e Rokossosky avançavam para oeste sem parar para manter o ímpeto do avanço, Tomadas as cidades-chaves de Molodechno e Baranovichi, que dominavam os estreitos corredores de movimento atravessando as regiões pantanosas e de bosques fechados da Bielorússia Central. O prosseguimento da ofensiva em direção a Vilnius e Bialystok exigia a captura dessas cidades-chaves antes que os alemães pudessem erigir novas defesas ao seu redor.

 

Pelo dia 3 de julho, enquanto o 5° Exército de Tanques de Guardas se reagrupava a oeste de Minsk, o Grupo Misto Cavalaria-Mecanizado de Obukhov (os 3° Corpo Mecanizado de Guardas e o 3° Corpo de Cavalaria de Guardas) começava a luta por Molodechno contra a 5° Divisão Panzer e os remanescentes do XXXIX Corpo Panzer e, mais ao sul, o Grupo Misto Cavalaria-Mecanizado de Pliev combatia ao longo das estradas para Baranovichi. Reforços adicionais alemães na forma da 7° Divisão Panzer e da 4° Divisão Panzer no sul enrijeceram a resistência alemã. No dia 5 de julho, entretanto, o 5° Corpo de Tanques de Guardas de Rotmistrov se juntou ao avanço em Vilnius. Pelo dia 8, a 3° Frente Bielorússia, junto com o Grupo Misto Cavalaria-Mecanizado, o 5° Exército e o 11° Exército de Guardas tinham cercado os defensores alemães de Vilnius e iniciaram uma complexa luta para reduzir a guarnição, bloquear as tentativas alemãs de salvamento e, simultaneamente, continuar o avanço par as margens do Rio Neman. Duros combates foram travados em Vilnius até o dia 13 de julho, quando os tanques de Rotmistrov apoiaram custosos combates de quarteirão a quarteirão na cidade.

 

Aquele dia mostrou outro exemplo do heroísmo alemão, quando um pequeno grupo de combate da recente chegada 6° Divisão Panzer penetrou 30 quilômetros através das linhas soviéticas e resgatou uma pequena parte da guarnição. Ao mesmo tempo, entretanto, forças soviéticas atingiram o Rio Neman a sudoeste da cidade. Enquanto isso, para o norte, a 1° Frente Báltica de Bagramian tinha tomado Polotsk e, reunindo-se à ofensiva com a vizinha 2° Frente Báltica, correu na direção noroeste ao longo de ambas as margens do Rio Dvina Ocidental. Reforços adicionais soviéticos na forma do 2° Exército de Guardas e do 51° Exército, recentemente chegados da Ucrânia e da Crimeia, tinham dado um impulso adicional ao golpe de Bagramian e ameaçavam desbaratar o já enfraquecido flanco norte do Grupo de Exércitos Centro. Os combates ao longo deste eixo agora se focavam no movimento em direção a Kaunus, Riga, e as costas do mar Báltico, um impulso que ameaçava cortar as ligações entre os Grupos de Exércitos Centro e Norte.

 

A queda de Vilnius foi acompanhada da perda alemã de Lida e Baranovichi, pontos chave de comunicação para o sul. Os 50° e 49° Exércitos reuniram-se às suas frentes originais, depois de eliminar o bolsão de Minsk, e as 2° e 1° Frentes Bielorussas se concentraram, respectivamente, na tomada de Grodno e Bialystok, ainda mais profundamente na retaguarda alemã. Dentro de uma semana, o avanço através da Bielorússia meridional tinha se expandido em uma batalha ainda maior pelos acessos à fronteira polonesa e às linhas dos rios Vístula e Narew, assim que a ala esquerda da 1° Frente Bielorussa tinha entrado em ação a oeste de Kovel.

 

Nos doze dias entre 22 de junho e quatro de julho, o Grupo de Exércitos Centro tinha perdido 25 divisões e bem mais de 300.000 homens. Nas semanas seguintes, ainda perderia mais 100.000 homens adicionais. O avanço soviético finalmente diminuiu sua marcha no final do mês, quando suas ponta-de-lanchas blindadas tinham ficado desgastadas e embotadas. Perdas de tanques em combate e o desgaste de três semanas de batalha móveis tinham forçado a maior parte das formações de tanques a fazer uma parada para reparos e descanso. As perdas tinham sido particularmente pesadas no 5° Exército de Tanques de Guardas. Rotmistrov logo foi removido do comando deste exército e promovido ao cargo de chefe de Forças Blindadas e Mecanizadas Soviéticas, ostensivamente por ter permitido que tais perdas ocorressem. O General de Divisão V. T. Vol’sky viria eventualmente a assumir o comando do Exército de Rotmistrov.

 

A diminuição da velocidade dos avanços soviéticos ofereceu poucos consolos para os alemães. Depois de uma série inicial de derrotas catastróficas, o Marechal de Campo Walter Model, comandante do Grupo de Exércitos Norte da Ucrânia, também recebeu o comando do Grupo de Exércitos Centro em 29 de junho, de forma a poder coordenar a redistribuição das poucas forças sobreviventes e erguer novas linhas defensivas em algum lugar no oeste. Model já tinha movido divisões panzer descansadas para a Bielorússia. Logo, entretanto, ele foi assediado por novos problemas, quando sua velha frente, de L’vov e Kovel’ irromperam em chamas e distribuição e logo se misturou em uma gigantesca luta que ia do Báltico até os montes Cárpatos.

 

FIM...


Publicado em 15/05/08 - 14:43 Recomendar para um amigo Votar nesta matéria


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